Eu não devia ter culpado apenas meu pai, mas ele foi o primeiro a me introduzir no ódio cru e estúpido. Ele era bom nisso de fato: tudo e nada o deixavam louco – coisas mínimas traziam seu ódio rapidamente a tona e parecia ser eu a principal fonte de sua irritação. Eu não tinha medo dele, mas sua raiva feria meu coração porque então ele era grande parte do meu mundo e era um mundo de horror, mas eu não devia ter culpado apenas meu pai. Porque quando deixei aquela, casa encontrei seus semelhantes em toda parte: meu pai era apenas uma pequena parte do todo, embora ele fosse o melhor em odiar que já conheci.
Mas os outros também eram bons nisso: alguns dos gerentes, alguns dos mendigos de rua, algumas das mulheres com quem tive de viver. A maior parte das mulheres tem um talento para o ódio culpando minha voz, minhas ações, minha presença, culpando-me, por aquilo que elas, em retrospectiva, tinham falhado em conseguir ,eu era simplesmente o alvo de seu descontentamento e num sentido bem real, elas me culpavam por não ser capaz de libertá-las de um passado de fracassos; o que não consideravam era que eu também tinha meus problemas – a maior parte deles causados apenas por ter de viver com elas.
Sou um cara bobão, chego fácil a alegria ou até mesmo àquela alegria estúpida por quase nada e se deixado sozinho fico bastante contente. Mas vivi durante tanto tempo e com tanta frequência com esse ódio que minha única liberdade, minha única paz é quando estou longe deles, quando estou em qualquer outro lugar, não importa onde; alguma garçonete velha e gorda me trazendo uma xícara de café é em comparação como o vento soprando selvagem e fresco.
-Charles Bukowski. Textos Autobiográficos- Um vento que sopra fresco e selvagem.
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